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15 de agosto de 2018

“Abriremos na Restinga até 22 de novembro”, diz presidente da Lebes

Otelmo Drebes afirma que será a primeira loja de uma grande rede de varejo no bairro da Capital

Desde que assumiu a presidência da Lebes, em janeiro de 2015, Otelmo Drebes marca sua gestão com ousadia e cautela. Filho mais velho do fundador, Otélio, trabalhava há mais de 30 anos na empresa criada em 1956 em São Jerônimo. Abriu uma Lebes Life Store no antigo edifício da Guaspari, no centro histórico de Porto Alegre e, no evento realizado nesta quarta-feira (1º) na sede do Grupo RBS, marcou para 22 de novembro a abertura da loja na Restinga, em Porto Alegre, com gerente local, já em treinamento. Será a primeira loja de grandes redes de varejo no bairro, de acordo com Drebes.

Três anos depois de assumir o comando, já conseguiu dar a sua cara à Lebes?

Antes eu já era CEO da empresa, mas o meu pai, que é o fundador, tinha ainda uma atividade operacional. Em um determinado dia, ele disse que não iria mais exercer a operação, mas exclusivamente a presidência do Conselho de Administração. Eu lembro de ter dito para ele que trabalhava há mais de 30 anos na empresa, não estava esperando ele sair para fazer alguma coisa. Era o filho mais velho, me identificava com ele, mas era outra pessoa. Ele entendeu isso, concordou e tem uma postura muito correta. Temos um relacionamento excelente, mesmo vendo que está difícil para ele. Viveu, fundou a empresa há mais de 60 anos. Deixar para que outras pessoas decidam? Façam muitas coisas que ele gostaria de fazer? Mas ele tem tido uma postura de empresário, com visão bastante clara, dentro das funções que passou a desempenhar dentro do conselho, deixando as atividades executivas e operacionais ao encargo da minha liderança, com toda a minha diretoria.

Qual é a marca da sua gestão?

Ajudei quebrando alguns paradigmas que foram criados e muitas vezes nem eram notados. Por exemplo: a empresa não tinha incentivo para contratar pessoas do mercado, o que criava dificuldades de desenvolvimento e crescimento. Abrindo a empresa (para essas influências) hoje temos uma visibilidade um tanto maior, o que faz com que talentos do mercado venham trabalhar na Lebes. Assim, aproveitamos as características dessas pessoas justamente em benefício da própria empresa. Talvez isso seja uma quebra de paradigmas. Por exemplo: temos pessoas de fora da família dentro da diretoria, o que, há uns anos, era totalmente impensável. Temos dois profissionais de carreira da empresa na diretoria.

A recuperação do prédio do Guaspari, com a abertura da Lebes Life Store, foi um marco para a cidade e também para a rede. Um ano depois, está tão bem como quando começou? 

Nós tínhamos uma pesquisa feita na Capital na qual muitos clientes pediam um local no centro da cidade para poder fazer compras, pagar suas prestações, porque temos um número expressivo de lojas na Região Metropolitana. Naquela época, já tínhamos 10 pontos em Porto Alegre. Notamos que a empresa não era conhecida o suficiente na cidade. Uma situação até fez com que eu tivesse mais essa certeza. Em um trabalho que fizemos, chamado de ‘Jornada do Cliente’, tanto eu quanto o restante da diretoria e outros executivos visitamos clientes da empresa na Capital e cidades ao redor. Na visita que eu fiz, perguntei para a cliente e ela não sabia quem eu era. Achava que eu era um pesquisador. Perguntei quantas lojas tem a Lebes no Rio Grande do Sul e ela disse: “eu comprei na loja tal, mas não sei quantas têm”. Aí questionei: “são 10 ou mais que 10?”. “Acho que tem menos de 10”, ela afirmou. A gente já tinha mais de 140 lojas no total.

Vimos que precisávamos de uma coisa que chamasse mais a atenção, justamente para marcar o porte da empresa. Em outras ocasiões, o tamanho da empresa era maior que o tamanho da marca. Hoje, temos uma expressividade muito grande, e até uma equiparação entre marca e tamanho da empresa. Com a Lebes Life Store no centro, em um local que foi tradicional há muitos anos, conseguimos essa visibilidade.

Quando abrimos uma loja em uma cidade, temos uma previsão bastante grande de compras. Com o caso da Lebes no Centro, eu não tinha isso, pois não havia parâmetro. Hoje, está dentro do que a gente previu. O número de clientes cresce todos os meses. Estamos muito satisfeitos com o trabalho.

O próximo passo em Porto Alegre é a Restinga. Em que fase está o projeto?

Temos um contrato, será aberta uma filial. Um pouco antes disto definimos a data da abertura da loja, que vai ser até o dia 22 de novembro. Vai ser em um prédio que está em construção. A Restinga é um bairro com uma população bastante expressiva na nossa cidade e tem um certo preconceito em relação a este bairro, pois não tem nenhuma loja de rede (de varejo) lá com um determinado porte. Um morador da Restinga está sendo treinado para ser gerente. Os funcionários serão, preferencialmente, do bairro. Então, para que a gente possa se identificar, ser bem acolhido por lá, pretendemos trabalhar em conjunto com a maioria dos moradores, que são pessoas honestas e trabalhadoras. Vamos criar cerca de 25 empregos diretos.

Ocorreram demissões por causa da crise?

Nos últimos três anos, em que se fala do encolhimento do PIB, conseguimos abrir algumas filiais. Aumentamos o número de funcionários. Em alguns setores, onde houve melhora de produtividade, fizemos um certo enxugamento mas, de uma forma geral, a empresa manteve o número de funcionários de dois e três anos atrás.

Logo depois do anúncio de que a Havan investiria no RS, a Lebes anunciou que entraria em SC. As duas têm o mesmo perfil, de magazine que vende de roupa a geladeira. Haverá competição mais direta?

Não. Temos planos de abrir em Santa Catarina, mas de forma alguma é algum tipo de revanche, ou algo assim. Vamos abrir uma loja em Sombrio. A expansão para o Estado vizinho é uma questão natural, assim como a Havan, que tem filiais em quase todo o Brasil, vindo para cá. Nós temos tantos concorrentes que acreditamos ter lugar para todos. Isso nos incentiva a ser cada vez melhores.

Em Santa Catarina, hoje temos uma loja em Criciúma, mas vamos crescer dentro das nossas oportunidades, do raio de ação. Não vamos deixar de manter a expansão no Rio Grande do Sul; no mês de outubro, vamos inaugurar uma loja em Passo Fundo. Não há visões diferentes para os dois Estados, mas uma visão natural de expansão da empresa.

A Lebes planeja expansão geográfica além de Santa Catarina?

Não. Existem muitas oportunidades ainda por aqui. Hoje, existe uma visão na empresa de oferecer serviços não tão físicos, mas um pouco mais virtuais. Afirmei recentemente em um congresso que o varejo ia mudar. O pessoal ficou curioso, queria adivinhar o que vai acontecer, mas isso eu não sei — só sei que vai mudar. Não adivinho, não tenho bola de cristal. A forma que se tinha antigamente, em que a pessoa via uma revista, olhava o anúncio no jornal, não acontece mais tanto. Nós pesquisamos por meios digitais, quando muito ainda damos uma chance para a loja física. Se encontramos e a loja física der em 10 parcelas, com o mesmo preço, é possível a compra.

É claro que, em algumas cidades do interior, isso ainda não ocorre. Mas não estamos trabalhando com essa separação entre compra pela internet ou loja física. O cliente tem que comprar, nós precisamos vender, só isso. Tem que receber onde quiser, comprar onde quiser, no momento em que quiser. Para isso, precisamos ter uma estrutura de informação que viabilize. Fazer isso é caro e complexo, mas necessário. É preciso ter essa visão. Muitas vezes, não acontece na velocidade em que a gente gostaria.

Todos esses movimentos seguem financiados com recursos próprios ou a redução do juro mudou essa política?

A redução de juros, sem dúvida, tem ajudado, mas não é tão significativa para um empréstimo nosso. É uma característica da empresa. A Lebes hoje é conservadora e familiar, mas isso não quer dizer que eu não tenha profissionais fora da família, nem deixe de aproveitar oportunidades para o desenvolvimento. Como característica, a empresa não é tomadora de recursos, não é alavancada, não se endivida. Não ocorreu nos últimos 60 anos, não acredito que irá ocorrer nos próximos.

Sobre a utilização de crédito, se eu der R$ 2 mil para o cliente ele vai gastar; se eu der R$ 5 mil, ele vai usar, e se eu der R$ 10 mil, ele não paga. É incrível, mas a gente se obriga a limitar a dar crédito para número expressivo de pessoas, com o objetivo de dar um limite adequado de quanto a pessoa pode gastar. Não é o fato de o juro ser maior ou menor que fará a empresa tomar mais ou menos recursos, mas de acordo com as oportunidades. A tomada de recurso precisa ser oportunidade para fazer negócio melhor.

A inadimplência ainda preocupa?

Tivemos um aumento expressivo da inadimplência em 2015 e 2016. A empresa percebeu isso e se preparou muito, acabamos restringindo e fazendo análise mais criteriosa de crédito. Para nós, a inadimplência diminuiu, pelos critérios adotados. Em 2018, é bem melhor que em 2017.

A empresa tem faturado mais de um bilhão anualmente?

Sim, isso foi em 2016. Foi no ano em que a empresa completou 60 anos. É uma marca. Chegamos lá no último dia do ano. A empresa só cresce, não diminuiu. Em 2017 foi maior e 2018 será mais, pretendemos vender R$ 1,1 bilhão, ou perto disso.

Qual a política da empresa no relacionamento com comunidades onde instala suas operações? (Luiz Coronel, da Agência Matriz)

Tenho mais dois irmãos que trabalham na empresa, dois filhos que também são sócios e tem também mais dois diretores que são profissionais da empresa. Estava comentando com meu pai que nenhum de nós, filhos, sobrinhos, esposa, está envolvido em qualquer situação mais difícil. Não nos envolvemos com drogas, não se ouviu falar que cometemos qualquer ilícito. Trabalhamos muito isso entre nós, e entre os nossos funcionários também. Trabalhamos para que os nossos funcionários tenham representatividade nas suas comunidades.

Temos hoje mais de 1 milhão de clientes. Então, quando um cliente reclama de alguma situação, damos uma grande atenção para isso, nas redes sociais ou Reclame Aqui. Todos vão verificar que somos bem avaliados e até de como tem comunidades que dizem que “só compro na Lebes”.

O grande desafio hoje é manter as equipes. Como é feita essa motivação na Lebes? (Ricardo Diedrich, da Associação Gaúcha de Varejo)

Não existe um segredo. Mas, só para ter uma ideia, tenho na minha agenda o telefone de cerca de 200 pessoas da empresa, que ligo para eles no dia do aniversário. Então, já aconteceu de eu ligar para determinado gerente de uma loja e ele não lembrar que estava de aniversário.

A gente liga de manhã cedo e pega de surpresa. Às vezes, estou viajando e ligo, é muito fácil, não leva um minuto para fazer isso. E o pessoal conta para mim depois: “O seu Otelmo me ligou no meu aniversário, se lembrou de mim”. Fala para os filhos, a esposa, os parentes. É uma atenção que se dá para as pessoas de uma forma carinhosa. Tem que cuidar para que, quando deixo de ligar, ele não pensar: “O que eu fiz para ele não ter me ligado?”. Então, se alguém copiar isso, tem que cuidar para não deixar de ligar depois.

Fonte: GaúchaZH- CLICRBS

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