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20 de dezembro de 2021

“Aumenta prazo, faz promoção, abre filiais”, diz presidente da Lebes sobre como lidar com inflação

Rede de lojas está completa 65 com expansão física, investimento em tecnologia e abertura de uma empresa de logística

 

Prestes a completar 65 anos, a Lojas Lebes segue o varejo no investimento em tecnologia, mas segue abrindo lojas. Ao todo, são mais de 200 operações físicas e 3 mil funcionários. Para o ano que vem, irá continuar expandindo, com foco em Santa Catarina. Esses foram alguns dos assuntos que a coluna tratou com o presidente da empresa, Otelmo Drebes, em entrevista para o programa Acerto de Contas (domingos, às 6h, na Rádio Gaúcha). Confira:

A Lebes está completando 65 anos. Esse marco da empresa acontece em um período em que se busca a recuperação após uma época bastante delicada. Como está para vocês?
C
ostumo dizer que 65 anos para uma pessoa é relativamente fácil. Mas é muito difícil para uma empresa ter 65 anos. Temos que curtir isso, e, com 65 anos, não é uma empresa ultrapassada, em decadência, com dificuldades. E sim, uma empresa jovial, com gente otimista, com alto astral, trabalhando alegre. A empresa crescendo com a sua marca, com lojas, com novos segmentos. Bastante dinâmica.

A ideia é manter a atmosfera de modernização constante, por mais que se traga, também, os benefícios de uma maturidade…
Aí, entra a questão da marca, da tradição, seriedade, confiança das pessoas. Eu não posso perder isso, que é uma marca muito forte da empresa. Em pesquisas, vimos que somos uma empresa muito querida. Por quê? Eu não sei também, talvez seja o jeito dos gerentes, dos diretores, talvez do presidente. Nós não temos brigas, não brigamos com ninguém, não temos, praticamente, casos em justiça, em tribunais. A empresa procura trabalhar e fazer nossa parte sem entrar em polêmicas. Tenho que alinhar isso com a juventude, a digitalização, o e-commerce.

Veja a entrevista em vídeo:

Como está a estrutura da Lebes hoje?
A empresa é originária de São Jerônimo. Há oito anos, transferimos a sede própria para Eldorado do Sul. Hoje, mais de 200 lojas, mais de 160 municípios atendidos. É uma empresa familiar profissionalizada, onde há familiares trabalhando, pessoas da família trabalhando, e vários profissionais, diretores também de mercado. Então, é uma multiplicidade de tipos de pessoas, onde cada um responde às suas atribuições corretamente.

E vocês estão com 3 mil funcionários?
Sim. Isso talvez venha até ao encontro de uma situação que eu costumo dizer. No ano passado, a empresa teve uma série de dificuldades, não por causa da empresa, mas por causa da pandemia. Pelo tipo de produto que vendemos, móveis, eletrodomésticos, roupas, bazar, telefonia, foram os segmentos onde se “transmitia” o coronavírus. Em supermercados, farmácias, açougue, padarias, postos de gasolina não se transmitia a covid-19. Então, nós fomos “premiados” com a situação de fechar as lojas. As lojas iluminadas, limpas, com ar condicionado, pessoas educadas, máscaras, álcool gel, distanciamento, mas pelo segmento, pelos produtos que nós vendíamos, tivemos que ficar muitos meses com as lojas fechadas. Isso fez com que a manutenção dos custos que a empresa tivesse sido prejudicada enormemente. Mas o que eu queria colocar mesmo é que, naquela época – maio, junho, julho -, foi uma decisão praticamente solitária minha, eu decidi não reduzir a minha equipe de pessoas que trabalhavam na empresa. Mesmo bancando os custos, as dificuldades, a empresa não reduziu a sua estrutura administrativa, porque eu acreditava que, logo em seguida, voltaríamos ao normal, ou ao novo normal, como se convencionou dizer. Isto fez com que hoje, estejamos preparados e com essas equipes, pessoas, valorizando isso que se fez àquela época, e continuando o trabalho que vínhamos fazendo.

E percebe que está acontecendo um consumo que ficou represado?
O consumo maior hoje é de pessoas com renda maior. Pessoas com renda mais baixa estão tendo mais dificuldade de consumo. Hoje, se fala muito na inflação do combustível, energia elétrica e gás de cozinha. Realmente, houve. Mas há uma inflação embutida em preços de televisores, dormitórios e telefones celulares, que aumentaram de preço.

Além do aumento, a renda do consumidor está mais comprometida com esses outros gastos também, certo?
Exatamente. Essas pessoas não tiveram aumento de renda. A reposição dos salários foi muito menor do que o aumento desses preços. Então, isso faz com que se tenha uma maior dificuldade para vender. Mas, de novo: com criatividade, aumentando um pouco mais o prazo, fazendo um pouco mais de promoção, dando premiação, abrindo mais umas filiais, a empresa está tendo resultados bastante bons novamente, comparando, sempre com 2019. Em 2020, eu praticamente procurei deletar do comparativo de resultados, da contabilidade. Claro que não se deletou a questão da melhora de produtividade, da melhoria de custos, mas, em termos de comparação, de resultados de vendas, a empresa está tendo resultados bastante satisfatórios.

Como está o fornecimento de produtos para vocês?
Logo depois que passou o forte da pandemia, houve um desbalanceamento de toda a cadeia produtiva, onde determinados produtos continuavam sendo fornecidos e outros produtos tinham bastante dificuldade. Isso veio se regularizando, e hoje está muito perto da regularidade, mas, sim, com preços mais altos. Tem a questão da China, por exemplo, os fretes não aumentaram 10% ou 20%, eles aumentaram 10 vezes, aumentaram em 1.000% os contêineres que se importa de produtos. Tanto produtos que nós importamos diretamente, assim como produtos que são insumos para produtos fabricados no Brasil. Então, não temos hoje grandes problemas de abastecimento, e sim de aumento de preço de produtos.

O senhor falou sobre aprendizados da pandemia, e também teve um movimento forte da Lebes na área de transformação digital.
No meio da pandemia, no início de julho do ano passado, foi a data do GoLive. É o momento da mudança de todos nossos processos para a implementação do SAP. Houve um estudo de mais de três anos para se implantar isso. Quando se começou a implantar, eu não tinha informação de que haveria pandemia. Só que isso é um processo que envolve centenas de profissionais, não só da empresa, mas quase do mundo todo. Quando tu implantas SAP, tem pessoas de outros países que têm conectividade para essa implantação. Cheguei a pensar em abortar lá em julho, mas fizemos, e no final ganhamos prêmio com a implantação. Foi um processo totalmente em home office, com as pessoas em casa. Foi um ganho de produtividade e uma questão totalmente diferente para os próprios técnicos da SAP, que também nunca tinham feito isso. Se implantou isso lá, com grande dificuldade, sim, mas já está implantado. O que se faz agora? Eu trabalhei criando todo “back office”.  Agora estou trabalhando muito com a omnicanalidade, onde o cliente compra onde quiser, pagando como quiser, recebendo como quiser. Totalmente trabalhando para o cliente agora. Criei toda estrutura interna, para agora trabalhar para fora. É a forma como o cliente quer receber o produto logo. Como ele vai pagar? Se vai ser com cartão, carnê, à vista, boleto, link, isso não interessa para ele. Se ele quer receber na loja, em casa. Isso eu preciso me estruturar para trabalhar fortemente.

E como a marca é importante nesse processo. Quando o cliente vai na loja física, ele vê o vendedor, a loja, tem o endereço para, depois, reclamar ou pagar. Mas quando ele tem acesso a outras plataformas, a segurança para fazer a compra é, em muitos casos, a relação que tem com a marca, muitas vezes criada na operação física.
Aqui na empresa, procuramos não separar a venda do e-commerce e a venda da loja física. É a venda da Lebes.

Eu me lembro que quando começou a venda digital, há muito tempo, algumas redes vendiam pela internet, mas sem se relacionar em nada com a operação presencial. E hoje nem se fala nessa possibilidade.
Hoje, quem ainda está pensando nessa forma está completamente fora do centro do mercado. Hoje, o cliente é o rei, ele que manda. E assim, nós, o varejo, produtores ou intermediadores da indústria precisamos fazer. E quem não quiser assim, eu costumo dizer, já morreu e não sabe.

E a expansão física?
Há algumas empresas que trabalham exclusivamente no canal digital. Eu acredito muito na questão “figital”, o físico com o digital. Então, quando temos uma oportunidade de abrir novos pontos para chegar mais perto do cliente, sim, se abre. Vamos continuar abrindo lojas, sem dúvida nenhuma.

Algum novo mercado? Meta de abertura?
A tendência é trabalharmos para o ano que vem mais em Santa Catarina. Nós já temos um número expressivo de lojas no Rio Grande do Sul. Estamos agora abrindo duas lojas, uma em Sarandi e outra em Santo Ângelo, no dia 2 de dezembro. São lojas grandes.

Mais alguma curiosidade da empresa?
Tem uma empresa que já temos que é de inteligência logística, a IntechLog. É uma empresa que está crescendo, se desenvolvendo, e estamos trabalhando para interligar o embarcador com o transportador. Hoje se chegou à conclusão de que existe uma oscilação de veículos de transporte que rodam vazios. É uma questão tecnológica, é relativamente pequena, mas se identificou uma oportunidade de mercado.

O que ela faz?
Por exemplo, o transporte de alguém que trouxe uma mercadoria de São Paulo para cá vai voltar vazio. Então, nós estamos trabalhando para que essas empresas e transportadores voltem com carga. Para o transportador que volte vazio, é uma possibilidade, também, para ganhar. E não necessariamente é da Lebes. O transportador que veio de São Paulo para cá, ele pode receber um valor um pouco menor para voltar, porque ele vai voltar com mercadoria. A mesma coisa é pessoa que está mandando mercadoria daqui para cá. Estamos interligando esses hubs de trabalho. Fazer um ganha-ganha. É uma empresa do Grupo Lebes.

Fui doar sangue e vi várias fotos do seu pai, seu Otélio Drebes…
Temos muito orgulho do trabalho que o pai faz. Ele tem 87 anos e está fazendo uma campanha em todo o Estado para doação de sangue. Ele não tem pretensão política, não recebe nada, mas diz que ganhou tanto na vida e que quer devolver um pouquinho. Ele leva as pessoas para hemocentros de todo o Estado. Ele diz que cada doador salva até quatro vidas. Então, ele já incentivou mais de 2 mil doações, e isso dá vida para ele.

Ouça a entrevista também no programa Acerto de Contas (domingos, às 6h, na Rádio Gaúcha): 

Fonte: GZH
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