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05 de julho de 2021

Fabiana Londero: Fogo, força, fé e felicidade

Ela evita gente chata; vê o copo meio cheio, força na fraqueza e beleza nas coisas simples; e dá o melhor em tudo que faz

 

Fabiana Rossignolo Londero, atual head de Marketing da Lebes, é uma profissional digna de admiração e respeito, com seus 27 anos de carreira exitosa na Comunicação. No trabalho, alguns a chamam carinhosamente de Fabi, Fabí ou Fabinha. Mas, para os íntimos, é simplesmente Fofa, Gringa ou Kika. Nascida em Rosário do Sul, área de campanha do Rio Grande do Sul, em abril de 1976, ao contrário do que dizem os entendidos em astrologia, é uma ariana simpática e doce, pelo menos ‘até que pisem no seu calo’, como faz questão de deixar claro. Colegas, amigos e familiares que a querem tão bem, fica a dica! Aos 10 anos, foi morar em Alegrete (RS), cidade que considera praticamente seu berço. Porém, pouco tempo depois, aos 17, decidiu adotar a capital gaúcha para estudar, destino comum de muitos habitantes do Interior. E foi por essas bandas que ela fez da sua vida um grande evento.

E será que a vida seria essa enorme festa se tivesse trilhado os outros caminhos profissionais que cogitou? Quem hoje vê essa comunicadora de primeira linha sequer é capaz de imaginar que, inicialmente, pensou em cursar Psicologia e trabalhar em hospital. Talvez tenha sido a força do destino o fato de não ter passado no psicotécnico da PUCRS, conforme conta, divertindo-se. A profissão acabou sendo a escolha da irmã, que a exerce lindamente, segundo a mana-coruja. Outra opção foi a Sociologia; no entanto, a melhor amiga a sugeriu Relações Públicas. Felizmente, ouviu o conselho, pois acabou fazendo o curso na Famecos e, aos 21 anos, estava com o diploma na mão. Além da formação como RP, tem MBA em Marketing pela ESPM, pós em Comportamento do Consumidor pela FGV e pós em Business, pela School of London.

Fabi é uma mistura de juventude e diversão com maturidade e seriedade, frutos de muita bagagem. A maior qualidade e o defeito são os mesmos: sincera, até demais. “Prefiro ser sincera do que ser desonesta. A verdade é que minha cara não esconde. E ainda sou explosiva quando estou com raiva”, sentencia. Bem-vindos à personalidade do signo de fogo. Mas fiquem calmos, porque ela queima, só que também aquece.

Uma mulher de família

A Fofa, apelido dado pelo pai Selito Londero, 72 anos, falecido recentemente, tem imenso orgulho do genitor. O pai era workaholic como funcionário do Banco do Brasil, mas nunca quis abrir mão da família para ter cargos de chefia, pois, como executivo, teria que viajar muito. Além do mais, cuidava do administrativo do comércio da esposa, Maria Odila, 73. A mãe empreendedora comanda a loja Vivendo Melhor, de produtos de bem-estar, além de ser professora de adolescentes aposentada.

Também é irmã de Flávio Londero, advogado, 43, pai da única sobrinha, Lara, 14; de Francine Londero, 39, psicóloga da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, no Hospital da Criança Santo Antônio; e de Francesco Londero, 34, publicitário. “Como é possível observar, meus pais gostavam dessa coisa de colocar os nomes dos filhos todos com a mesma letra”, observa, aos risos. Casada com Rodrigo Machado, 45, sócio da Opinião Produtora, ela trata de esclarecer: “Lá em casa, é ele quem cozinha”.

A RP é superfamília. Todos os domingos, é tradição o almoço da prole. Aqui, incluem-se os pets, que atendem pelos nomes de Pinot e Noir, dois pugs, filhos da Fabi; e Billy, Bartô e Guri, pertencentes aos irmãos. O churrasco ao som de música tradicionalista começa às 12h e termina às 17h. Acontece na casa dos pais ou no sítio do casal em Viamão. Todo mundo junto e misturado é compromisso fixo e incancelável na agenda.

Se não for pra causar, nem vai

Pois bem, lembram dos 21 aninhos da Fabi? Apesar de muito jovem e recém-formada, mesmo tendo a experiência de mudar de cidade, não pensou duas vezes antes de colocar a mochila nas costas mais uma vez e embarcar para Londres, a fim de estudar. Foi para passar três meses e ficou dois anos. Aprendeu a falar inglês, fez especialização na área de atuação, trabalhou como babá e, é claro, em eventos. “O que mais fiz foi juntar dinheiro para viajar por toda a Europa. Mochilei durante 60 dias. Quando não tinha nada para fazer, ia para Paris”, lembra, fazendo graça com o luxo ao que se dava direito.

Uma das características profissionais é querer sempre dar e ser o melhor que pode em tudo que faz. “Fui a melhor babá que eles tiveram”, afirma, sem titubear. E complementa: “Não acordo às 6h para não ser a melhor pessoa que posso ser para aquela empresa”. A head de Marketing acredita que é preciso trabalhar por amor, tesão, e se dedicar. Em março de 2018, passou a integrar a equipe de Marketing da Lebes, onde pratica esses três valores. No começo, coordenava 17 pessoas, hoje, são quase 50. “Faz três anos e meio que estou aqui e trabalho me divertindo”, celebra. Para ela, a melhor parte do dia é lidar com gente, o que permite um aprendizado constante sobre o outro e sobre si mesma, considerando que as pessoas são diferentes. A líder também é adepta da terapia para aprimorar essa busca pessoal. “Tem um livro do Ram Charan, do qual gosto muito, chamado ‘Pipeline de Liderança’. Ele tem que entender qual o papel dele como gestor. Super indico”, acrescenta.

Desde que assumiu o cargo, a rotina consiste em: acordar cedo, ler o jornal na cama e rodar pelas redes sociais para ver o que está acontecendo. O objetivo é se inteirar antes de levantar. Umas 7h está de pé, toma café e uma bateria de vitaminas, e só então vai para a Lebes. “Eventualmente, faço home office e, mesmo assim, nunca coloquei pantufa, pijama, abrigo”, gaba-se. Ela é frenética, assim como seus sinônimos. Empolgada com o que faz, entusiasmada no dia a dia, inquieta por inovar, encantada com a profissão. Ela faz acontecer.

Sem ano sabático para os fortes

Antes de ir para Londres, o primeiro emprego foi na Capacitá Eventos, com Eliana Azeredo. Anos depois, acabou retornando, dessa vez como gerente de Atendimento. Como diz aquele preceito bíblico, ‘o bom filho à casa torna’. Ainda com eventos, passou pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, sob supervisão de Airton Vargas Junior. Atuou no Fórum Social Mundial, com Heitor Kramer, da RBS. Na Marprom, trabalhou para a Eliete Santana de Quadros, então como produtora de Eventos. O curioso é que Fabi não queria, de jeito nenhum, trabalhar com eventos: “Os meus primeiros anos na área foram fazendo eventos, o que acabou me proporcionando um olhar 360º sobre todo e qualquer projeto de execução – tenho o olhar macro e o micro”, analisa.

Trabalhou tanto fazendo eventos de varejo, vendo muitas palestras, que se apaixonou pelo segmento. Então falou para a Eliana, a chefe na época, que queria trabalhar com isso e pediu demissão. A gestora respondeu: ‘Vai, tu precisas trabalhar em uma empresa grande’. Após essa decisão, em uma semana a chamaram para uma entrevista na Renner, como analista de Comunicação Corporativa. Lá, também foi coordenadora e especialista, e permaneceu por 12 anos. Graças ao tempo de casa, pôde trabalhar com pessoas que considera fantásticas, como Fabio Faccio, CEO da Renner e amigo pessoal; José Galó, CEO da Renner na época e agora presidente do Conselho; Haroldo Rodrigues, que foi diretor; Carol Giron, atualmente diretora de RH do Grupo +A Educação; Rodrigo Pinto, da Paim; e Joice Trindade, que é a head de Marketing da YouCom.

Depois dessa trajetória na Renner, entendeu que era o momento de alçar voo, uma vez que o ciclo havia finalizado e precisava de um ano sabático. Assim, lá foi ela pedir demissão novamente: “Levei nove meses para sair de vez, porque sempre tinha um projeto pela frente. Era uma relação muito bonita que eu tinha com a empresa”, relembra, nostálgica. Quando saiu da Renner, ficou um mês na praia, trabalhando como produtora de Eventos junto do marido, e depois daria início ao seu tão esperado ano sabático. Quando voltou, a Lebes a chamou. “Não teve o ano sabático que me prometi. Meu pai já dizia: ‘Fofa, tu não nasceste para ficar parada’. Ele estava certo”, assume.

Muito amor envolvido

Foi na Renner que vivenciou a experiência inesquecível de levar 1.500 clientes com acompanhante, ou seja, 3 mil pessoas, ao tour de quatro shows da Madonna no Brasil – a maior promoção do ano da empresa, que aumentou as vendas no País inteiro. Somada a toda a estratégia de divulgação, foram realizados cinco concursos culturais para concorrer a ingressos. Os autores das melhores respostas de um deles foram a Nova York, nos Estados Unidos, com direito a acompanhante e tudo pago no Madison Square Garden. Também teve uma ação cujo objetivo era escrever a maior carta de fãs do mundo para a rainha do pop. Foram mais de 1,2 milhão de caracteres escritos. As mensagens foram projetadas em prédios na cidade do Rio de Janeiro, sobrevoaram em três aviões, e uma parte foi impressa e estendida em frente ao hotel da cantora, permitindo que outros fãs assinassem. E a diva apareceu na janela para olhar, assim como seu empresário, que recebeu um Ipad com o conteúdo da carta para repassar à cantora. Foi um desafio e tanto.

Outros momentos marcantes foram o primeiro desfile de coleção e a primeira vez que entrou na Bovespa e bateu a sineta, também na Renner. O destaque, agora na Lebes, vai para um projeto de comunicação inédito no Rio Grande do Sul, sendo uma entrega multimídia simultânea em todos os meios de comunicação da RBS, com mais de 40 pessoas envolvidas, para levar as ofertas da Lebes de Black Friday para todos os gaúchos.

Ampliando horizontes

Fabi curte entretenimento, como filmes e séries – preferencialmente de suspense e terror, assim como a busca incessante por conhecimento. Faz cursos alternativos, como cultura nórdica e cultura egípcia, deuses antigos, africanismo, cultura hindu, curso de pedras. Por sinal, é pagã, o que significa que acredita em todos os deuses. Para ficar claro, todas as religiões que não são oriundas do cristianismo são pagãs. “Acredito que todos os deuses se dão bem, convidam-se para as mesmas festas, quem separa eles somos nós, os homens”, lamenta. Gosta muito de ler, e, além da biblioteca em casa, tem uma na Lebes, motivo de satisfação. Na maior parte das vezes, lê livros técnicos para se aprimorar na carreira; e no restante do tempo, muita mitologia, o que a torna uma profunda conhecedora do assunto.

Da mesma forma que é apaixonada por conhecimentos gerais, aprecia ficar de pernas para cima, pensando em nada, permitindo-se esse que é considerado um privilégio nos dias corridos de hoje, tal como seus passeios em Paris em outros tempos. Outro hobby curioso seu, que é uma caixinha de surpresas, é bater perna em shopping. Adora olhar o produto, analisar o ponto de venda e, às vezes, senta-se para observar o comportamento das pessoas, pois tudo é referência, insight.

Vida simples que é boa

Comunicativa e extrovertida como é, não é de se estranhar que tenha muitos amigos – inclusive pelo mundo, visto que ama viajar e, em suas palavras, ‘trabalha para tirar férias’. Mas atenção: na casa dela, são poucos os que vão. No seu cantinho, prefere ficar reservada e comer um bom churrasco só com o marido, por exemplo. Ele é chef de cozinha por lazer, então a alimenta muito bem, como justifica. Entretanto, avisa que gosta mesmo é da comidinha simples, o bom e velho arroz e feijão na cumbuca. Outras simplicidades que valoriza são momentos como o que reviveu em um dia desses, de dormir com a mãe no quarto. Por sinal, adora dormir, além de comer em bons restaurantes.

Na batalha Grenal, prefere ficar em cima do muro. E adivinhem só por quê? “Onde tem festa, estou junto. Se tiver que optar por um, vou ficar de fora da festa do outro. E quero que me convidem para a bagunça”, explica. Falando em festa, não elenca um estilo de música favorito. Tudo que a faça bater seu pezinho é bom.

Sobre ser humana

E será que ela sabe se definir? Até nisso surpreende, respondendo poeticamente: “Sou uma mulher forte, mas que às vezes precisa de colo – não sou Mulher Maravilha o tempo inteiro. Tenho um bom coração, mas não deixo que pisem em mim. Sou uma pessoa alegre, mas quando estou triste, me fecho. Sou muito justa, acredito nas pessoas, e, às vezes, posso até parecer ser boba, mas me faço de idiota”.

Fabi não se dá o direito de reclamar. “Acho que é uma coisa de enxergar o copo meio cheio e não meio vazio; a gente sempre pode melhorar. Para isso, temos que parar de protestar e olhar para a frente”, doutrina a RP, que diz que sempre haverá a escolha de olhar o lado positivo ou negativo. Para a vida ser mais leve, fica seu conselho mais valioso e engraçado, como ela: seja tudo, mas não seja chato! “É o lema do meu marido. Acho tão perfeito que roubei para mim”, confessa. E se tem uma coisa que a Fabi não é é ser chata. Chato deve ser uma vida sem conhecer e conviver com pessoas como ela.

 

Fonte: Coletiva.Net

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