Voltar
22 de dezembro de 2017

Varejo terá retomada econômica lenta, gradual e constante

Após quatro anos de crise na economia brasileira, finalmente, o setor varejista começa a estimar que, em 2018, o cenário melhore, ainda que de forma lenta – mas gradual e constante. No entanto, há incertezas no que se refere ao contexto político, considerando as eleições para presidente, governadores, senadores e deputados. “O fato é que temos um ambiente político muito desfavorável, com um governo sem capacidade de articulação. Então é difícil acreditar que se vai sair totalmente da crise”, pondera o presidente do grupo Dimed, Julio Ricardo Mottin Neto. “Já foi uma sorte a reforma trabalhista ter sido aprovada”, opina. “Nosso próximo presidente da República é uma incógnita, mas, ainda assim, podemos afirmar que, uma vez que não deverão ocorrer grandes mudanças, lentamente, estamos indo para o caminho certo”, avalia o presidente das Lojas Lebes, Otelmo Drebes. Em paralelo, do ponto de vista dos empresários da indústria – gerentes e proprietários de empresas -, há forte tendência de recuperação, destaca o economista Marcelo Portugal, citando recente pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Após 22 meses seguidos de destruição de empregos (desde 2015), durante o último ano, foram criados 208 mil postos de trabalho”, destaca. Atualmente, os consumidores estão deixando de ficar tão pessimistas, observa o economista. Portugal argumenta que, com menos desemprego, juros mais baixos, aumento de crédito (barato), recuperação da massa de rendimentos e inflação controlada, deverá ocorrer uma retomada do crescimento do País, puxada pelo consumo. “As pessoas estão menos pessimistas”, justifica. E emenda que, com relação ao investimento nos setores do comércio e de serviços, ainda há muita capacidade ociosa para ser aproveitada. O economista avisa que a inflação deve aumentar de 3,01%, no final de 2017, para, no máximo, 4,5% no final de 2018. “Com isso, os juros devem subir, mas, ainda assim, vão ficar relativamente baixos”, reforça. Com o Produto Interno Bruto (PIB) voltando a crescer (deve chegar perto de 1% no final de 2017), a estimativa é de que feche 2018 quase em 2,5%. “Continuamos com nosso ritmo de expansão da empresa, que segue crescimento sustentável de 15% em vendas ao ano”, pontua o presidente do grupo Dimed. Segundo ele, em 2018, a rede, que, atualmente, conta com 390 unidades, deve inaugurar entre 46 a 48 lojas. “É preciso um olhar muito atento ao caixa da empresa, para não crescer ‘mais do que as pernas’. Temos que olhar o ano de 2018 com moderação, sem otimismo acelerado, cuidar dos negócios e dos clientes, e buscar os canais eletrônicos”, aconselha Mottin Neto. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA), Alcides Debus, afirma que empresas altamente estruturadas (com inteligência artificial e banco de dados de clientes) já estão crescendo em um índice de dois dígitos e devem manter o ritmo em 2018. “Estamos com ambiente de negócios melhor para o comércio e para os vários setores da economia; no entanto, a variável incontrolável é a questão política, que interfere, sim, no mercado e na confiança do consumidor”, pondera o dirigente. Na opinião do presidente da entidade representativa do varejo na Capital, “dependendo do que acontecer na política, ou o mercado melhora, ou todos terão um ano estável”. “Mas, sem dúvida, a tendência é de uma certa retomada, com grande parte dos empresários investindo e retomando a geração de empregos.” Ao apresentar as perspectivas da entidade para 2018, o vice-presidente e coordenador do Núcleo de Economia da Federasul, Fernando Marchet, frisou que as reformas estruturais com impacto no resultado fiscal se tornam muito relevantes. “Contudo, ainda temos a aprovação da reforma da Previdência em aberto. Se não passar, impactará no aumento dos juros, e coloca em xeque a condução da política monetária”, pontuou. “Por outro lado, se for aprovada a reforma da Previdência, podemos retomar o tripé de sustentabilidade macroeconômico, dando mais espaço para crescimento do produto e queda da taxa real de juros no médio prazo.”

O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, observa que o poder de compra das famílias aumentou em 2017 pela dinâmica da inflação e dos juros. “Além disso, ainda que timidamente, o mercado de trabalho dá sinais de melhoras, o que ajuda a reforçar a confiança e o retorno ao consumo”, destaca o dirigente. “Este será um ano melhor para o varejo. Os juros caíram, os fundamentos da economia estão melhores, e, com os investimentos previstos, a economia tende a retomar, assim como as vendas no comércio”, concorda o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Paulo Kruse. O dirigente destaca que a reformulação da CLT contribuiu para a contratação, a exemplo do contrato intermitente, que beneficia os lojistas que tenham seu pico de movimento aos sábados e domingos, podendo contratar pessoas para trabalhar nesse período. “O movimento tem crescido. Nós esperamos acréscimo nas vendas de Natal, e, para 2018, novos investimentos, com lojas vendendo mais e impactando positivamente na economia.” Bohn reforça que a reforma trabalhista, “ainda que não perfeita”, representa um grande e importante avanço para a flexibilização das relações de trabalho, e para o aumento da empregabilidade e da competitividade do setor de serviços. “Os tribunais precisam, agora, respeitar a lei, e nós vamos lutar por isso”, alerta. Ele também considera fundamental que ocorram outras reformas, como administrativa, tributária e previdenciária. Na percepção da Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS), a retomada do crescimento das vendas no varejo gaúcho começou no início de 2017 e acelerou a partir do segundo trimestre, com a influência da liberação das contas inativas do FGTS, da safra agrícola (que bateu novo recorde neste ano) e da queda da taxa de juros. “Mas ainda existe um longo caminho para a plena recuperação do comércio lojista”, destaca o presidente da entidade, Vitor Augusto Koch. Segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o único empreendimento com previsão de inauguração para 2018 é o Passo Fundo Shopping, que terá 30 mil de ABL (Área Bruta Locável). O presidente da Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo (AGV), Vilson Noer, confirma que “há poucas opções de novos shoppings” no Estado. “No entanto, fizemos uma reunião com os associados, na qual mais de 30% apontaram que devem investir em novas lojas, ou melhorias nas que já existem, além de estar dispostos a injetar recursos em tecnologia e treinamento de funcionários.” A expectativa do aumento de vendas na AGV é conservadora, com estimativa de alta de 5% a 7% sobre o primeiro semestre de 2017.

 

 

 

Voltar para notícias